22.4.08

Pensamentos da ultima noite

Parem os relógios!

Pra quê precisamos marcar
a hora de nossa morte?
Marquemos então
a hora de nossas vidas: parem os relógios!




O homem moderno

O homem moderno se enfeitiçou
pela mercadoria.
Esta tomou conta de sua vontade.
Fez dele um escravo.
O ultimo modelo enfeitiçou-lhe até seus olhos brilharem.
Não conseguiu vender o que tinha,
então jogou fora no lixo pra ter um mais novo.
Pagou os olhos da cara,
ficou devendo, ficou liso,
dividiu em pesadas prestações a perder de vista.
Mas ficou na moda, ficou bem visto entre os amigos,
ficou de bem com seu amor, ficou até mais charmoso...
ficou “bem”, mas, até o ladrão ficar sabendo.
Pois até este tem o direito de ser um
homem moderno, não?




TV

Ligo a TV.
Pra quê?
Se olho e não vejo nada.
Como um idiota, com o
controle na mão,
subo e desço os canais,
aumento e baixo o volume.
O melhor programa é aquele do
chiado branco na tela.



Os sábios

Os sábios imaginam que
sabem sobre as coisas por demais
e não percebem que quase sufocam
os outros com o tamanho de seu ego.
Foi uma criança, filosofa
por natureza, que lhes ensinou
o segredo de ouvir as
pessoas de vez em quando.
Mas já era tarde demais,
o vício já lhes tinha feito morada.



O tempo

Quem inventou o tempo
não teve tempo
de ver a merda
que fez, presumo.
Mas a merda maior é que
não há mais tempo para
voltar atrás.

6.4.08

Ladrão de Palavras

Estas próximas palavras não são minhas! Nem mesmo sei a quem pertencem. Só sei que as roubei. Estampadas em capas e encartes de discos, foram esquecidas pelos seus donos ao longo do tempo. Com a revolução tecnológica que permitiu a substituição dos antigos vinis por cd’s, no final da década de 80 e início dos anos 90, estas palavras foram vendidas impressas em vinis pela força da mão que pressionava o lápis em seus encartes no intuito de deixar para o futuro a lembrança do presente.

Talvez a doce nostalgia dessa lembrança não fosse tão doce assim. Quem sabe estes que se dizem amigos já não o são mais hoje. Quem sabe o casal apaixonado já não é mais tão apaixonado assim. Talvez até nem estejam mais juntos. Enfim, duvido que depois de tanto tempo alguém venha reclamá-las. Mas, pensando bem, qual o crime maior, o meu ou o deles? Não fui eu quem vendeu estas palavras dedicadas com tanto afeto nos discos. Afinal, onde estão todos eles agora? Apareceriam e me condenariam pelo meu crime? Me censurariam? Ou será que nada diriam ao saberem que sei de seus crimes também? De toda forma o meu crime já prescreveu. Então repito: estas palavras não são minhas!


“Passaram-se os anos
Passaram-se os meses
Passaram-se os dias
Mas não passaram
A lembrança eterna
De uma amizade que
Lutamos para perpetuar” .
(Fevereiro de 1987)
Disco: Vida de Chico Buarque (1980)

“Não tenho tudo que quero,
Mas amo tudo que tenho”.
Disco: Roberto Carlos (1990)

“Vilma, aceite esta simples lembrança
De todo coração pela passagem
Desta magnífica data.
De sua amiga Neide”
(16/01/80)
Disco: Mel de Maria Bethânia

“Se todos os que vivem juntos se
Amassem, a terra brilharia mais que o sol”
Rose (18/07/82)
Disco: Amar de Simone (1981)


“Vilma, aceite esta simples lembrança
Com muito carinho pela passagem de
seu aniversário”. (16/01/83)
Disco: Nossos Momentos de Maria Bethânia (1982)
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E enquanto este post é publicado escutamos um bom
e velho vinil de Caetano: Transa (1972).