Enquanto a inspiração não vem eu vou... Vou fazendo um “meio de campo”. Botei o Gil que eu comprei lá centro hoje pra tocar na vitrola. Foi assim, meio que sem querer, ia passando e dei de cara com um Sargent Peppers... dos Beatles. O cara foi logo me dizendo que era caro, não dei muita importância. Sabia que se demonstrasse algum interesse, felicidade ou surpresa por ter encontrado aquele disco ele iria me cobrar os olhos da cara. E foi o que aconteceu.
Vi também um Bob Dylan. Fiquei em dúvida se era o primeiro álbum dele. Big Boy, figura conhecida do ramo dos vinis na cidade de João Pessoa que por ali passava e parou pra conversar com o amigo de profissão, afirmava que o primeiro de Bob Dylan era outro. Explicou como era a capa e coisa e tal. Realmente fiquei com dúvida e confesso que na hora cheguei a pensar num Google pra tirar a dúvida maldita. Por fim, combinei com o vendedor de passar lá depois para ver os outros discos do Dylan que ele disse que tinha.
Mas estava falando mesmo do Gil. Descendo a rua, estendia-se ao longo da calçada vários LP’s. O outro vendedor, quando se ligou que eu gostava de vinis e que eu tinha trocado um papo sobre esse assunto com o cara ao lado, logo foi me chamando e me convidando para dar uma olhada nos álbuns que ele estava vendendo. “Qualquer um desses aí é um real, pode escolher, só tem coisa boa”. E falava que já tinha vendido um bocado e que tava pra comprar uma coleção.... “Só coisa boa!” Sentei num banquinho e fui vendo vagarosamente álbum por álbum. Abria, olhava para ver se não estava arranhado, olhava as musicas... Confesso, novamente, que pensei nesse momento de análise dos álbuns: “pra quê comprar um vinil se eu posso baixá-lo?” E isso me fez repensar se valeria a pena sair dali cheio de vinis debaixo do braço. Enfim, separei dois que me chamaram a atenção. Pelo tempo que eu tinha demorado, o cara que tava vendendo os vinis por certo achou que eu fosse levar vários. Realmente, fiquei um bom tempo ali. As pessoas passando na calçada de um canto para o outro. As lojas estavam movimentadas. O comércio estava bem ativo. Fim-de-semana, peixe e vinho. Pela cara do vendedor acho que ele não ficou muito animado por eu ter escolhido apenas dois álbuns. Paguei os dois reais e disse ainda: “eu tenho a maioria desses álbuns aí”. Fui-me embora.
Dei uma pausar. A música era instigada. Fui tentar acompanhar. E era “meio de campo”. Elis ia gritando a letra do Gil enquanto sua banda segurava com a competência dos grandes mestres os acordes e contratempos da música. Encostei o violão. Fiquei escutandaprendendo um pouquinho. Passou pra outra música. Após alguns segundos de audição fiquei pensando como certas melodias nos remetem para um outro tempo, um tempo em que aquelas melodias se encaixam. São o resultado máximo daquela época. Não poderiam ser mais nem menos que aquilo. São, na verdade, a expressão máxima e mais sofisticada do que pode haver em termos de melodia, música, arranjo. Simplesmente são. Talvez por isso sejam tão boas. Mas, esquecendo os elogios valorativos, fiquei pensando também com minhas idéias, enquanto olhava as letras das músicas, que talvez seja isso que o Maffesoli fala de “estilo de uma época”. Esse estilo se estende por tudo que faz parte da vida humana, da moda, dos hábitos, gírias e costumes e, claro, a música. Mas enfim, continuei ouvindo...
Grata surpresa! Sempre achei que o Gil ficava meio que escondido nos anais da música popular brasileira. Ofuscado por Caetano, coisa do tipo. O narciso que chamou a atenção de todos para si... Por sua vez, Dionísio ia seguindo de vagarinho e, claro, com a grande competência dos mestres. Mas quando coloquei aquele Parabolicamará pra tocar... pô... um real... muito bom! Valeu ter andado pra cima e pra baixo lá no centro com aquele vinil debaixo do braço. Afinal de contas, combinemos aqui entre nós, um vinil é umas sete vezes maior que um CD. É sim, eu medi. Mais ou menos isso. A primeira música (do lado A) poderia não está ali, não seria sentida a sua falta, de forma alguma. “Parabolicamará”, “um sonho”... Quanta coisa boa! Que letras! Ainda fiquei pensando comigo: “vai que a letra é boa e o arranho não é legal.” Nada disso. A primeira música do lado B bem que poderia, também, não estar ali. É, eu sei. Sou quem estou afirmando isso. Mas a segundo música, “neve na Bahia”, leve e irônica pede para ser ouvida mesmo. Daí a gente pega o braço do vinil e adianta logo para a segunda. Escutando-a direitinho, acho que a Xuxa ainda não entendeu esta música. “Ya Olokun”, música mais que atual. E o que dizer de “o fim da história”? Músicaresposta a Fukuyama... Sintonizado demais!
“É como se o livro dos tempos
Pudesse ser lido de traz pra frente
Frente pra traz”.
É mesmo. E tanto faz se comecemos escutando o lado A ou o lado B. E se você perguntar “de onde vem a esperança, a sustança espalhando e verde dos teus olhos pela plantação”, a resposta vêm em seguida: “ô ô vem de baixo do barro do chão”.
Últimas palavras que encerram o vinil. Fui ver a data do álbum após retirá-lo da vitrola e fiquei surpreso ao perceber que não há data alguma no álbum. Que merda! Confesso novamentemente que pensei no Google naquela hora pra me tirar essa dúvida.
Vi também um Bob Dylan. Fiquei em dúvida se era o primeiro álbum dele. Big Boy, figura conhecida do ramo dos vinis na cidade de João Pessoa que por ali passava e parou pra conversar com o amigo de profissão, afirmava que o primeiro de Bob Dylan era outro. Explicou como era a capa e coisa e tal. Realmente fiquei com dúvida e confesso que na hora cheguei a pensar num Google pra tirar a dúvida maldita. Por fim, combinei com o vendedor de passar lá depois para ver os outros discos do Dylan que ele disse que tinha.
Mas estava falando mesmo do Gil. Descendo a rua, estendia-se ao longo da calçada vários LP’s. O outro vendedor, quando se ligou que eu gostava de vinis e que eu tinha trocado um papo sobre esse assunto com o cara ao lado, logo foi me chamando e me convidando para dar uma olhada nos álbuns que ele estava vendendo. “Qualquer um desses aí é um real, pode escolher, só tem coisa boa”. E falava que já tinha vendido um bocado e que tava pra comprar uma coleção.... “Só coisa boa!” Sentei num banquinho e fui vendo vagarosamente álbum por álbum. Abria, olhava para ver se não estava arranhado, olhava as musicas... Confesso, novamente, que pensei nesse momento de análise dos álbuns: “pra quê comprar um vinil se eu posso baixá-lo?” E isso me fez repensar se valeria a pena sair dali cheio de vinis debaixo do braço. Enfim, separei dois que me chamaram a atenção. Pelo tempo que eu tinha demorado, o cara que tava vendendo os vinis por certo achou que eu fosse levar vários. Realmente, fiquei um bom tempo ali. As pessoas passando na calçada de um canto para o outro. As lojas estavam movimentadas. O comércio estava bem ativo. Fim-de-semana, peixe e vinho. Pela cara do vendedor acho que ele não ficou muito animado por eu ter escolhido apenas dois álbuns. Paguei os dois reais e disse ainda: “eu tenho a maioria desses álbuns aí”. Fui-me embora.
Dei uma pausar. A música era instigada. Fui tentar acompanhar. E era “meio de campo”. Elis ia gritando a letra do Gil enquanto sua banda segurava com a competência dos grandes mestres os acordes e contratempos da música. Encostei o violão. Fiquei escutandaprendendo um pouquinho. Passou pra outra música. Após alguns segundos de audição fiquei pensando como certas melodias nos remetem para um outro tempo, um tempo em que aquelas melodias se encaixam. São o resultado máximo daquela época. Não poderiam ser mais nem menos que aquilo. São, na verdade, a expressão máxima e mais sofisticada do que pode haver em termos de melodia, música, arranjo. Simplesmente são. Talvez por isso sejam tão boas. Mas, esquecendo os elogios valorativos, fiquei pensando também com minhas idéias, enquanto olhava as letras das músicas, que talvez seja isso que o Maffesoli fala de “estilo de uma época”. Esse estilo se estende por tudo que faz parte da vida humana, da moda, dos hábitos, gírias e costumes e, claro, a música. Mas enfim, continuei ouvindo...
Grata surpresa! Sempre achei que o Gil ficava meio que escondido nos anais da música popular brasileira. Ofuscado por Caetano, coisa do tipo. O narciso que chamou a atenção de todos para si... Por sua vez, Dionísio ia seguindo de vagarinho e, claro, com a grande competência dos mestres. Mas quando coloquei aquele Parabolicamará pra tocar... pô... um real... muito bom! Valeu ter andado pra cima e pra baixo lá no centro com aquele vinil debaixo do braço. Afinal de contas, combinemos aqui entre nós, um vinil é umas sete vezes maior que um CD. É sim, eu medi. Mais ou menos isso. A primeira música (do lado A) poderia não está ali, não seria sentida a sua falta, de forma alguma. “Parabolicamará”, “um sonho”... Quanta coisa boa! Que letras! Ainda fiquei pensando comigo: “vai que a letra é boa e o arranho não é legal.” Nada disso. A primeira música do lado B bem que poderia, também, não estar ali. É, eu sei. Sou quem estou afirmando isso. Mas a segundo música, “neve na Bahia”, leve e irônica pede para ser ouvida mesmo. Daí a gente pega o braço do vinil e adianta logo para a segunda. Escutando-a direitinho, acho que a Xuxa ainda não entendeu esta música. “Ya Olokun”, música mais que atual. E o que dizer de “o fim da história”? Músicaresposta a Fukuyama... Sintonizado demais!
“É como se o livro dos tempos
Pudesse ser lido de traz pra frente
Frente pra traz”.
É mesmo. E tanto faz se comecemos escutando o lado A ou o lado B. E se você perguntar “de onde vem a esperança, a sustança espalhando e verde dos teus olhos pela plantação”, a resposta vêm em seguida: “ô ô vem de baixo do barro do chão”.
Últimas palavras que encerram o vinil. Fui ver a data do álbum após retirá-lo da vitrola e fiquei surpreso ao perceber que não há data alguma no álbum. Que merda! Confesso novamentemente que pensei no Google naquela hora pra me tirar essa dúvida.
