15.5.09

Notas do Cotidiano

A bula

Por esses dias estava lendo sobre o cotidiano. E o que me dizia o texto: o cotidiano é algo da ordem da rotina, do dia-a-dia, do particular, do acidental...
Instantes depois, percebo sobre a mesa da biblioteca uma bula de remédio deixada por alguém. Mais precisamente uma bula de um “contraceptivo de emergência que pode ser usado para evitar a ocorrência de gravidez...”.

Fiquei pensando comigo mesmo: quer situação mais cotidiana que esta? Não no sentido de nos depararmos com isso todos os dias, mas no sentido de uma situação como esta também fazer parte desse nosso dia a dia e que muitas vezes é fugaz, fugidio. E porque não da ordem da rotina? Do particular, do acidental...?

Os padres também amam

Li no jornal um dia desses algo que dizia mais ou menos isto. Com certeza o jornalista estava certo (desculpem antecipadamente a minha redundância). E fiquei refletindo: talvez o amor espiritual, o amor da ordem do metafísico não seja completo para o homem, este ser ainda não totalmente compreendido. Talvez lhe falte o outro lado, ou seja, o amor material, o amor que se sente, o amor físico, o amor do toque; o amor da sacanagem, da luxúria, do que pertence ao proibido, do que só se diz (e se faz) entre quatro paredes, do que não segredamos nem mesmo ao nosso melhor amigo; do que não se confessa e nem mesmo se escreve a não ser em livros como o da Bruna Surfistinha, por exemplo.

Para mim, o padre motivo de todo esse escândalo que a mídia tanto adora só cometeu um erro: o de ter filmado (e desta forma ter tornado público) o que pertence a vida privada.

Mensagem na porta do banheiro

“Procura-se macho
para namoro sério.
Telefone...”.

Namoro sério?
SÉRIO?

4.5.09

Resumindo

Marcha da maconha

E a marcha da maconha foi proibida em João Pessoa. O vereador Geraldo Amorim (PDT), um dos maiores interessados na proibição da marcha, este ano, conseguiu antecipadamente garantir a não saída dos defensores do uso da “planta mágica”. Assim como no ano anterior, a mídia local (através de seus apresentadores mais exaltados e editorias de jornais) apoiou mais uma vez não a marcha, claro, mas a sua proibição.

Estratégia: associar a marcha, uma manifestação vinda da sociedade civil e garantida pela Constituição Federal, ao aumento de usuários de drogas em João Pessoa. Pelo visto a tática funcionou... Por outro lado, na votação da proposta de aumento salarial de 10 % dos servidores municipais, o vereador Geraldo Amorim se absteve do voto. Há quem diga que o vereador deveria se preocupar menos com uma “minoria desesperada”, como já disseram, e empenhar-se mais com o bem-estar da maioria da população.

Trânsito

A redução do IPI dos automóveis fez efeito e os mais atentos já podem sentir a mudança, podem até mesmo vê-la pelas ruas. Explico. A pacata João Pessoa, cidade em que uns tempos atrás era possível andar num trânsito tranqüilo (pelo menos para quem tem carro, claro), hoje é quase impossível sair de casa (de carro) sem se estressar. O aumento de veículos nas ruas da capital é um fato comprovado pelos números. A frota de carro que circula em João Pessoa atualmente, segundo dados oficiais, é de 190 mil. Em 2008, a quantidade de carros na rua da capital aumentou 12% e de moto 27%. Segundo dados da STTrans, só na avenida principal dos Bancários, das 6 às 8h, passam diariamente 14,7 mil veículos.

O pior de tudo não é isso! Pois os que pensam que quem não tem carro não se estressam com esta situação, estes estão redondamente enganados. Quem não tem carro vai de ônibus e o estresse é proporcional ao tamanho do veículo que você usa para ir ao trabalho. A única vantagem (para quem vai de ônibus) é poder dar a velha desculpa para o patrão: “... é que o ônibus atrasou e teve um engarrafamento”.

Novidade boa

O SBT desenterrou das profundezas dos arquivos da extinta TV Manchete a novela Dona Beija. Novela de enredo permeado de cenas sensuais, fato este que fazia com que muitos pais mandassem seus filhos dormirem mais cedo (eu que o diga!), Dona Beija marca uma fase boa da telenovela brasileira em que as novelas não se resumiam ao velho clichê do mocinho e do bandido, tão explorado hoje.

Mas a novidade boa não é nem tanto a novela, mas a sua trilha sonora, mais especificamente a música Coito das Araras da cantora paraibana Cátia de França. Música gravada e regravada por diversos interpretes, Coito das Araras marca o auge da carreira da cantora que nos presenteou com pérolas como Vinte palavras girando ao redor do sol, Djaniras e outras músicas. Vale a pena ver e ouvir.