Eu fico incrível com teu mistério, teu segredo... E vou
cortando as ruas da cidade pensando nas palavras, o vento batendo no rosto.
Adentro seu pensamento. Vou entrando sem bater. Mal educado que sou, entro e
sento na tua mesa. Tomo do teu café, fico olhando. Reviro suas coisas, leio
suas anotações. Desligo a televisão, ligo o som, toco uma música: “ela vai
dançar a noite inteira vai, vai, vai... Vai desfazer a dor, pra desfazer...”.
Ela é uma menina e tem sonhos e tem medo e desejos. Anda por
aí preocupada com os perigos do mundo. Entregou seu amor como quem dar um
presente e a felicidade é um projeto rabiscado no papel: introdução,
desenvolvimento e conclusão; só não achou ainda o método. É metade e é lua
quase cheia que seu sorriso tenta disfarçar. À noite, navega por entre as
estrelas perdida na imensidão. Acredita no sim, mas diz quase sempre não. Talvez,
quem sabe. Ensaiou uns passos, começou a dançar...
“Olha só essa menina que balança...”.
Acendo um cigarro e fico olhando: “Olha só essa menina que
balança, vejam só. Olha só essa menina que balança e dança só”.
E a vida segue em frente como um eterno presente.
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