6.10.11

Excertos


Depois de “subir ao terceiro céu do amor”[1], se viu só e sem saber o que fazer. Como cego que vê pelas mãos, ensaiou os primeiros passos tateando o vento e arriscando alternativas; todas elas contra sua própria vontade.
Se “belezas são coisas acesas por dentro”[2], como esvaecer sensação tão boa? Como apagar daqui de fora algo ativado internamente sabe-se lá como? Se todos são inocentes e apenas eu sou o culpado então a quem pedir ajuda? Procurar respostas tem sido um ofício.
E pensar que além das contas para pagar, dos protestos do oriente, da crise mundial, das pessoas que pedem nos ônibus... existe toda uma subjetividade que carregamos e que não sai no jornal.
E a vida prossegue assim como a edição do dia seguinte que tem que sair independente do conteúdo da notícia. 
 

Para ler ouvindo:


 


[1] Trecho do livro "Ilusões Perdidas", de Balzac. Narra a história do jovem ambicioso Lucien de Rubempré  que parte de sua cidade natal para conquistar a glória em Paris como jornalista por meios antiéticos.
[2] Trecho da música "Lágrimas Negras" de Jorge Mautner e Nelson Jacobina.


 

3 comentários:

Polly disse...

a urgência da vida pedindo pra gente urgir, e a gente ardendo por dentro... Querendo escrever esse livro-vida e sem sair da página 2, 3...

O dia seguinte é sempre o novo que nos bate à porta, mesmo que as obrigações de ontem gritem por atenção... Ver essa beleza e lê-las comm mãos, pés e pernas, unhas e dentes, enfim...

Fabiano disse...

Um dos grandes baratos da arte é sua infinita possibilidade de interpretações e leituras. São brechas, fendas ou buracos que não se observa, por exemplo, na ciência. Por isso adoro os comentários; são melhores que as citações tipo: "segundo Fulano de Tal (2011, p.13)...".
E essa ardência por dentro da qual você fala nada mais é do que uma vontade antropofágica (porém contida socialmente) de ter o mundo do seu jeito agora e já.

Obrigado pela visita.

Fabiano disse...

Sabe, fiquei pensando agora também: se eu não explodir, que se exploda o mundo.