Depois de “subir ao terceiro céu do amor”[1],
se viu só e sem saber o que fazer. Como cego que vê pelas mãos, ensaiou os
primeiros passos tateando o vento e arriscando alternativas; todas elas contra
sua própria vontade.
Se “belezas são coisas acesas por dentro”[2],
como esvaecer sensação tão boa? Como apagar daqui de fora algo ativado
internamente sabe-se lá como? Se todos são inocentes e apenas eu sou o culpado
então a quem pedir ajuda? Procurar respostas tem sido um ofício.
E pensar que além das contas para pagar, dos protestos do
oriente, da crise mundial, das pessoas que pedem nos ônibus... existe toda uma
subjetividade que carregamos e que não sai no jornal.
E a vida prossegue assim como a edição do dia seguinte que
tem que sair independente do conteúdo da notícia.
Para ler ouvindo:
[1] Trecho do livro "Ilusões Perdidas", de Balzac. Narra a história do jovem ambicioso Lucien de Rubempré que parte de sua cidade natal para conquistar a glória em Paris como jornalista por meios antiéticos.
[2] Trecho da música "Lágrimas Negras" de Jorge Mautner e Nelson Jacobina.
3 comentários:
a urgência da vida pedindo pra gente urgir, e a gente ardendo por dentro... Querendo escrever esse livro-vida e sem sair da página 2, 3...
O dia seguinte é sempre o novo que nos bate à porta, mesmo que as obrigações de ontem gritem por atenção... Ver essa beleza e lê-las comm mãos, pés e pernas, unhas e dentes, enfim...
Um dos grandes baratos da arte é sua infinita possibilidade de interpretações e leituras. São brechas, fendas ou buracos que não se observa, por exemplo, na ciência. Por isso adoro os comentários; são melhores que as citações tipo: "segundo Fulano de Tal (2011, p.13)...".
E essa ardência por dentro da qual você fala nada mais é do que uma vontade antropofágica (porém contida socialmente) de ter o mundo do seu jeito agora e já.
Obrigado pela visita.
Sabe, fiquei pensando agora também: se eu não explodir, que se exploda o mundo.
Postar um comentário