<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-28162782</atom:id><lastBuildDate>Sat, 26 Dec 2009 06:17:03 +0000</lastBuildDate><title>PapirusFalantis</title><description></description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/</link><managingEditor>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>96</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6854362539879311613</guid><pubDate>Sat, 12 Dec 2009 03:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-12T01:56:20.094-02:00</atom:updated><title></title><description>Tenho vários livros dento de mim. Tenho também vários poemas e estórias para contar.&lt;br /&gt;No entanto, não sou nem escritor e nem poeta. Acho que desaprendi a escrever no papel. O computador faz essas coisas. Agora desaprendi, não tem jeito! E o que me resta é uma caneta e um papel.&lt;br /&gt;E aí fico olhando o papel e a idéia não se deixa escrever. E aí vou adiando publicá-los: livros impublicáveis, pois só idéias.&lt;br /&gt;Por enquanto, sigo sendo o que sou, como sou e do jeito que você me conhece.&lt;br /&gt;Quando do parto, partilharei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6854362539879311613?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/12/tenho-varios-livros-dento-de-mim.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6951174788352083518</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 04:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T02:19:52.503-02:00</atom:updated><title></title><description>&lt;b&gt;Livro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro guarda dentro de si uma voz. A voz daquele que o escreveu, ficou lá dentro presa. E dentro de nossa cabeça sempre ouvimos a voz do autor. As idéias que fervilhavam na cabeça do autor agora livro.&lt;br /&gt;O livro quando aberto salta uma voz que ninguém mais ouve a não ser nós. Ler é bom para quem gosta de ouvir a voz que conta estórias sobre as coisas que o autor inventou. &lt;br /&gt;O autor é meio Deus, meio homem: inventa as palavras, inventa os livros... Inventa a dor, os aromas, a visão.&lt;br /&gt;O livro guarda uma voz que fala. A fala nem sempre é entendida. A letra é a tradução gráfica da fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não sei&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a mesa que escrevo, alguns livros se estendem de forma um tanto desorganizada. Eles me servem para fins diversos e cada um deles fala sobre determinado assunto que seus autores acreditam ter algo de muito importante a dizer. &lt;br /&gt;Fiquei pensando se daqui há algum tempo eles ainda me serão importantes; se cada um desses autores merecerão uma releitura ou se serão expulsos de uma vez por todas da estante. No dia que eu transbordar, retomarei esse assunto com cada um deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Quando chove fica rio a minha rua. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no rio tem uma casa&lt;br /&gt;Que fica na beirada&lt;br /&gt;Quando chove dá musquito&lt;br /&gt;Quando seca dá piaba&lt;br /&gt;A rua fica debaixo do rio&lt;br /&gt;Que passa indiferente&lt;br /&gt;O mato cresce ao redor &lt;br /&gt;Ao redor da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher do ônibus jogou &lt;br /&gt;Lixo na rua&lt;br /&gt;Acumulou água ao redor&lt;br /&gt;Ao redor da minha casa&lt;br /&gt;Agora água, lixo e mato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Hein?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi da ultima vez que eu disse quando. Na mesma hora que você falou qual. Era ele que tava dizendo que ia quem? Naquele canto que você me disse que tinha onde. Fui eu que falei que era você o que.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6951174788352083518?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/11/nao-sei-sobre-essa-mesa-que-escrevo.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-5353859665346128275</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 03:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T01:42:54.977-02:00</atom:updated><title>Navegantes silenciosos</title><description>Um certo cantor baiano ajudou a popularizar entre nós a seguinte frase: "navegar é preciso, viver não é preciso". Antes dele, o poeta português Fernando Pessoa imprimiria a frase em seu poema "Navegar é preciso", de 1914. Até aí tudo bem, pois imagino que muitos já tenham ouvido a música e tomado conhecimento da poesia. O que poucos sabem, imagino eu, é que a frase é bem mais antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de 70 a.C., Pompeu, general romano, foi enviado à Sicília com o objetivo de escoltar uma frota para Roma via mar. Antes da saída alguém previu uma tempestade, os marinheiros amedrontados se recusavam a seguir viagem quando o general disse aos seus homens: "Navigare necesse, vivere non est necesse".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando na atualidade da frase. Mesmo tanto tempo depois, a asserção de Pompeu parece atualíssima, até mesmo em tempos de internet. Explico: dia desses instalei no blog um desses contadores de visitas que localizam numa espécie de globo de onde vêm os acessos. Daí que fiquei visualizando alguns poucos desses pontinhos que brilhavam no globo vindo de lugares diferentes. Por um tempo fiquei pensando nesses navegantes silenciosos que, ao contrário dos navegantes de Pompeu, se lançam a cruzar o cyberespaço a procura de algo. Fiquei pensando quem seriam estes aventureiros e por quais caminhos chegaram até aqui. Tentei imaginar o que pensavam ao aportar e lançar âncora aqui, mesmo que por alguns minutos. Se voltariam outras vezes ou não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim pensei: Pompeu estava certo! Navegar é preciso, pois posso precisar de onde vêm os navegantes. Mas viver não é preciso, não posso precisar a vida, os hábitos, a morte, enfim, a subjetividade desses navegantes silenciosos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-5353859665346128275?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/11/navegantes-silenciosos.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6900091953212818264</guid><pubDate>Tue, 13 Oct 2009 04:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-13T01:50:25.449-03:00</atom:updated><title>Remoto</title><description>A sua imagem ficou na minha cabeça &lt;br /&gt;como o cheiro de seus cabelos &lt;br /&gt;ficou no meu nariz. &lt;br /&gt;Até hoje te assisto e já não sei mais &lt;br /&gt;aonde está o controle que te desliga, &lt;br /&gt;deve está em algum lugar remoto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6900091953212818264?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/10/remoto.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6009455842789551397</guid><pubDate>Fri, 09 Oct 2009 04:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-09T01:10:40.104-03:00</atom:updated><title>Qual o tamanho de seu desejo?</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/Ss62zj9tb3I/AAAAAAAAAQc/BjMBuf30WQE/s1600-h/dialogue.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 171px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/Ss62zj9tb3I/AAAAAAAAAQc/BjMBuf30WQE/s320/dialogue.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390446800952717170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Qual o tamanho de seu desejo?  &lt;br /&gt;– Hein?&lt;br /&gt;– Disse: qual o tamanho de seu desejo? &lt;br /&gt;– Sei lá. E desejo tem tamanho?&lt;br /&gt;– Eu te faço uma pergunta e você me responde com outra, porra?!&lt;br /&gt;– Ah, faz uma mais fácil aí carai.&lt;br /&gt;– A pergunta é essa mesmo. Qual o tamanho de seu desejo?&lt;br /&gt;– Sei lá.&lt;br /&gt;– Mas isso você já respondeu.&lt;br /&gt;– Deixa eu ver... Meu desejo, no momento, não é muito grande não.&lt;br /&gt;– Sim...&lt;br /&gt;– É mais ou menos do tamanho de um carro.&lt;br /&gt;– Zero quilômetro?&lt;br /&gt;– Claro, pô. Você acha que eu quero carro velho?&lt;br /&gt;– Então aí tá complicado.&lt;br /&gt;– Complicado por quê?&lt;br /&gt;– Por que um carro zero é muito caro e você, no momento, é um liso.&lt;br /&gt;– Também não precisa ofender, né?&lt;br /&gt;– Ah, tô só batendo a real. &lt;br /&gt;– Então tá. Agora é você, me responde aí: qual o tamanho de seu desejo?&lt;br /&gt;– Meu desejo é do tamanho de uma bicicleta.&lt;br /&gt;– Bicicleta?&lt;br /&gt;– É, bicicleta. Num pode não?&lt;br /&gt;– Depois o liso sou eu.&lt;br /&gt;– Pelo menos uma bicicleta é mais acessível que um carro.&lt;br /&gt;– Mas com uma bicicleta não dá nem pra ganhar aquela gatinha que vai passando ali.&lt;br /&gt;– Então seu desejo é bem maior do que um carro, meu caro amigo.&lt;br /&gt;– E o seu não passa de uma bicicleta, seu mané.&lt;br /&gt;– É verdade, você tem razão. Mas agora eu vou ter que ir.&lt;br /&gt;– Já? Mas tão cedo? Aonde você vai?&lt;br /&gt;– Vou realizar meu desejo.&lt;br /&gt;– Como assim?&lt;br /&gt;– Vou comprar minha bicicleta, ora!&lt;br /&gt;– Comprar uma bicicleta?&lt;br /&gt;– É, comprar uma bicicleta! O meu desejo, no momento, é do tamanho de uma bicicleta, lembra?&lt;br /&gt;– É verdade... que filho da puta!&lt;br /&gt;– E você, quando é que você vai realizar seu desejo? Se você quiser depois te dou uma carona no bagageiro de minha bike. Quem sabe assim você não chega mais rápido...  ... Seu mane!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6009455842789551397?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/10/qual-o-tamanho-de-seu-desejo.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/Ss62zj9tb3I/AAAAAAAAAQc/BjMBuf30WQE/s72-c/dialogue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6056998288401402302</guid><pubDate>Tue, 29 Sep 2009 06:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-29T03:13:39.038-03:00</atom:updated><title></title><description>E apesar de tudo a vida&lt;br /&gt;continua.&lt;br /&gt;As janelas das casas&lt;br /&gt;estavam abertas com&lt;br /&gt;suas toalhas e roupas &lt;br /&gt;estendidas.&lt;br /&gt;Namorados nas ruas passeando.&lt;br /&gt;A velhinha que foi&lt;br /&gt;fazer compra.&lt;br /&gt;E os meninos que &lt;br /&gt;brincam na praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na brevidade de nossa experiência&lt;br /&gt;não há espaço suficiente&lt;br /&gt;para as mais &lt;br /&gt;diversas possibilidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tanta beleza&lt;br /&gt;a única coisa que pude&lt;br /&gt;fazer foi comtemplar.&lt;br /&gt;E passou por&lt;br /&gt;mim assim...&lt;br /&gt;Então pensei com meus botões:&lt;br /&gt;Deus não seria tão generoso&lt;br /&gt;comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6056998288401402302?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/09/e-apesar-de-tudo-vida-continua.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-3367227993948588428</guid><pubDate>Fri, 21 Aug 2009 14:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-21T12:10:09.508-03:00</atom:updated><title>Raul Seixas: uma ausência muito presente</title><description>Agosto de 1989. 21 de agosto de 1989, pra ser mais preciso. Foi esta a data que morreu Raul Seixas. Uma data muito simbólica e um artista que vigora em ato.&lt;br /&gt;No imaginário popular o mês de agosto é o mês dos desastres, dos acontecimentos ruins. Quantas personalidades não já morreram neste mês, não é mesmo? Mas você lembra de alguma que morreu no mês de março, por exemplo? Certamente muitas. Todo mês morre gente. Mas, de acordo com o senso comum, o mês de agosto é que é o problema: mês do agouro, mês do desgosto e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 1989 também nos remete a algumas reflexões. Neste mesmo ano, Raul não viajaria sozinho para o desconhecido: o cantor Luiz Gonzaga, o ator Lauro Corona e o pintor e escultor Salvador Dali  também iriam com ele.   Ainda em 89, ruía o muro de Berlim levando junto uma parte do sonho socialista. Aqui no Brasil, acontecia a primeira eleição direta para presidência da República depois de 29 anos de “sinal fechado” e poucos meses faltava até a virada para a próxima década: os anos 90. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na música anos 80, Raul Seixas cantava o seguinte: “Hey! Anos 80!. Charrete que perdeu o condutor. Hey! Anos 80! Melancolia e promessas de amor.”. Tentar imaginar o que Raul diria dos anos 90 e dos anos 2000 seria um interessante exercício e daria um bom artigo sobre o talvez. Mas este não é o nosso propósito. Afinal, a década de 90 foi a década do Grunge e do Mangue Beat. Todos dois “movimentos” de releituras. O primeiro, do Rock pesado dos anos 70 das guitarras do Black Sabbath, só que com vinte anos à frente, uma sonoridade mais barulhenta e temas do universo teenager. Já o segundo, com 20 anos a frente, desta vez do Tropicalismo e uma idéia que se aproximava dos planos de Gil e Caetano: mesclar a cultura pop estrangeira com manifestações tradicionais brasileira, misturar o brega com o chic etc. e assim criar uma nova estética que surja dos elementos que já existe, como uma dialética. E o que é que Raul tem a ver com isso? Raul misturou Baião com Rock and Roll. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vanguardas quase sempre apresentam seu manifesto expondo seus objetivos e a linha de sua atuação conforme sua leitura de mundo ou filosofia. Esta afronta tem como finalidade rever os antigos valores e abrir brechas para um novo olhar sobre a vida. Já a “[...] arte não se contenta em estar presente, pois ela significa também uma maneira de representar o mundo, de figurar um universo simbólico ligado à nossa sensibilidade, à nossa intuição, ao nosso imaginário, aos nossos fantasmas”1. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, Raul Seixas foi vanguarda e fez de sua arte um meio através do qual ele poderia materializar suas representações e leituras de mundo: &lt;br /&gt;“[..] a solução é alugar o Brasil”2; “[...] a civilização se tornou tão complicada, que ficou tão frágil como o computador, que se uma criança descobrir o calcanhar de Aquiles com um só palito para o motor [...]”3; “O sol da noite agora está nascendo. Alguma coisa está acontecendo, não dá no rádio nem está nas bancas de jornais [...]”4;   “[...] minha mãe me disse há um tempo atrás, onde você for Deus vai atrás. Deus vê sempre tudo que cê faz, mas eu não via Deus, achava assombração [...]”5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por estas e outras que a obra de Raul é atemporal. E se um dia o computador de fato parar, além de outras coisas, vão chamá-lo de profeta. Me parece até que já o chamaram disso também, né mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Referências&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. JIMENEZ, Marc. O que é estética. São Leopoldo, RS: ED. UNISINOS, 1999. p. 10.&lt;br /&gt;2. Aluga-se. &lt;br /&gt;3. As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor. &lt;br /&gt;4. Novo Aeon. &lt;br /&gt;5. Paranóia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-3367227993948588428?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/08/raul-seixas-uma-ausencia-muito-presente.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-1347052423150649995</guid><pubDate>Sat, 01 Aug 2009 02:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-31T23:37:24.364-03:00</atom:updated><title>Lembranças da última noite</title><description>Aquele cabelo seu &lt;br /&gt;que ficou em minha boca&lt;br /&gt;guardo-o agora comigo&lt;br /&gt;debaixo do meu traveseiro.&lt;br /&gt;Tão seu, só meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-1347052423150649995?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/07/lembrancas-da-ultima-noite.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-4267754124443519745</guid><pubDate>Thu, 30 Jul 2009 14:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-30T11:50:29.019-03:00</atom:updated><title>Enquanto isso...</title><description>Com uma caneta e um papel na mão começou a rabiscar umas contas que teria que pagar no mês. De olho na parada de ônibus para não perder a hora, se dividia entre esses dois afazeres: esperar o ônibus e conferir as contas do mês no papel.&lt;br /&gt;Enquanto isso, se distraia ouvindo Serge Gainsbourg cantando &lt;em&gt;My Lady Heroïne &lt;/em&gt;no seu fone de ouvido.&lt;br /&gt;Nem o ônibus passou e nem ele pagou suas contas. Resolveu então comprar uma bicicleta. Assim, prolongou um problema e resolveu outro. Por fim, continuou escutando o Gainsbourg nos seus passeios ciclísticos pela cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-4267754124443519745?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/07/enquanto-isso.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-5360096126679489946</guid><pubDate>Thu, 23 Jul 2009 18:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-23T16:00:05.175-03:00</atom:updated><title>Diálogo entre o orientador preocupado com o trabalho de seu orientando:</title><description>- E aí meu filho?&lt;br /&gt;- Ainda tô no campo!&lt;br /&gt;- E quando é que sai o gol?&lt;br /&gt;- Primeiro eu tenho que entender a posição dos jogadores, né?&lt;br /&gt;- Mas acontece que você já ta no segundo tempo e ainda não deu pra ver quem é quem?!&lt;br /&gt;- É... eu não queria lhe falar, mas tô achando que vou pra prorrogação.&lt;br /&gt;- E se brincar vai pros pênaltis, né mesmo?&lt;br /&gt;- Ainda bem que você me conhece.&lt;br /&gt;- Ai, ai, ai...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-5360096126679489946?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/07/dialogo-entre-o-orientador-preocupado.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-1422228676038391197</guid><pubDate>Fri, 15 May 2009 18:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-15T15:37:12.132-03:00</atom:updated><title>Notas do Cotidiano</title><description>&lt;strong&gt;A bula&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por esses dias estava lendo sobre o cotidiano. E o que me dizia o texto: o cotidiano é algo da ordem da rotina, do dia-a-dia, do particular, do acidental...&lt;br /&gt;Instantes depois, percebo sobre a mesa da biblioteca uma bula de remédio deixada por alguém. Mais precisamente uma bula de um “contraceptivo de emergência que pode ser usado para evitar a ocorrência de gravidez...”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando comigo mesmo: quer situação mais cotidiana que esta? Não no sentido de nos depararmos com isso todos os dias, mas no sentido de uma situação como esta também fazer parte desse nosso dia a dia e que muitas vezes é fugaz, fugidio. E porque não da ordem da rotina? Do particular, do acidental...?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os padres também amam&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Li no jornal um dia desses algo que dizia mais ou menos isto. Com certeza o jornalista estava certo (desculpem antecipadamente a minha redundância). E fiquei refletindo: talvez o amor espiritual, o amor da ordem do metafísico não seja completo para o homem, este ser ainda não totalmente compreendido. Talvez lhe falte o outro lado, ou seja, o amor material, o amor que se sente, o amor físico, o amor do toque; o amor da sacanagem, da luxúria, do que pertence ao proibido, do que só se diz (e se faz) entre quatro paredes, do que não segredamos nem mesmo ao nosso melhor amigo; do que não se confessa e nem mesmo se escreve a não ser em livros como o da Bruna Surfistinha, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o padre motivo de todo esse escândalo que a mídia tanto adora só cometeu um erro: o de ter filmado (e desta forma ter tornado público) o que pertence a vida privada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mensagem na porta do banheiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Procura-se macho&lt;br /&gt;para namoro sério.&lt;br /&gt;Telefone...”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Namoro sério? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;SÉRIO?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-1422228676038391197?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/05/notas-do-cotidiano.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-8021881578557560070</guid><pubDate>Mon, 04 May 2009 13:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-04T10:41:11.151-03:00</atom:updated><title>Resumindo</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Marcha da maconha&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a marcha da maconha foi proibida em João Pessoa. O vereador Geraldo Amorim (PDT), um dos maiores interessados na proibição da marcha, este ano, conseguiu antecipadamente garantir a não saída dos defensores do uso da “planta mágica”. Assim como no ano anterior, a mídia local (através de seus apresentadores mais exaltados e editorias de jornais) apoiou mais uma vez não a marcha, claro, mas a sua proibição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estratégia: associar a marcha, uma manifestação vinda da sociedade civil e garantida pela Constituição Federal, ao aumento de usuários de drogas em João Pessoa. Pelo visto a tática funcionou... Por outro lado, na votação da proposta de aumento salarial de 10 % dos servidores municipais, o vereador Geraldo Amorim se absteve do voto. Há quem diga que o vereador deveria se preocupar menos com uma “minoria desesperada”, como já disseram, e empenhar-se mais com o bem-estar da maioria da população. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trânsito&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A redução do IPI dos automóveis fez efeito e os mais atentos já podem sentir a mudança, podem até mesmo vê-la pelas ruas. Explico. A pacata João Pessoa, cidade em que uns tempos atrás era possível andar num trânsito tranqüilo (pelo menos para quem tem carro, claro), hoje é quase impossível sair de casa (de carro) sem se estressar. O aumento de veículos nas ruas da capital é um fato comprovado pelos números. A frota de carro que circula em João Pessoa atualmente, segundo dados oficiais, é de 190 mil. Em 2008, a quantidade de carros na rua da capital aumentou 12% e de moto 27%. Segundo dados da STTrans, só na avenida principal dos Bancários, das 6 às 8h, passam diariamente 14,7 mil veículos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo não é isso! Pois os que pensam que quem não tem carro não se estressam com esta situação, estes estão redondamente enganados. Quem não tem carro vai de ônibus e o estresse é proporcional ao tamanho do veículo que você usa para ir ao trabalho. A única vantagem (para quem vai de ônibus) é poder dar a velha desculpa para o patrão: “... é que o ônibus atrasou e teve um engarrafamento”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Novidade boa&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O SBT desenterrou das profundezas dos arquivos da extinta TV Manchete a novela Dona Beija. Novela de enredo permeado de cenas sensuais, fato este que fazia com que muitos pais mandassem seus filhos dormirem mais cedo (eu que o diga!), Dona Beija marca uma fase boa da telenovela brasileira em que as novelas não se resumiam ao velho clichê do mocinho e do bandido, tão explorado hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a novidade boa não é nem tanto a novela, mas a sua trilha sonora, mais especificamente a música Coito das Araras da cantora paraibana Cátia de França. Música gravada e regravada por diversos interpretes, Coito das Araras marca o auge da carreira da cantora que nos presenteou com pérolas como Vinte palavras girando ao redor do sol, Djaniras e outras músicas. Vale a pena ver e ouvir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-8021881578557560070?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/05/resumindo.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-123489666079684035</guid><pubDate>Fri, 10 Apr 2009 21:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-10T18:52:00.083-03:00</atom:updated><title>novedeabrildedoismilenovejoãopessoapb ou simplesmente meio de campo</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto a inspiração não vem eu vou... Vou fazendo um “meio de campo”. Botei o Gil que eu comprei lá centro hoje pra tocar na vitrola. Foi assim, meio que sem querer, ia passando e dei de cara com um Sargent Peppers... dos Beatles. O cara foi logo me dizendo que era caro, não dei muita importância. Sabia que se demonstrasse algum interesse, felicidade ou surpresa por ter encontrado aquele disco ele iria me cobrar os olhos da cara. E foi o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi também um Bob Dylan. Fiquei em dúvida se era o primeiro álbum dele. Big Boy, figura conhecida do ramo dos vinis na cidade de João Pessoa que por ali passava e parou pra conversar com o amigo de profissão, afirmava que o primeiro de Bob Dylan era outro. Explicou como era a capa e coisa e tal. Realmente fiquei com dúvida e confesso que na hora cheguei a pensar num Google pra tirar a dúvida maldita. Por fim, combinei com o vendedor de passar lá depois para ver os outros discos do Dylan que ele disse que tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estava falando mesmo do Gil. Descendo a rua, estendia-se ao longo da calçada vários LP’s. O outro vendedor, quando se ligou que eu gostava de vinis e que eu tinha trocado um papo sobre esse assunto com o cara ao lado, logo foi me chamando e me convidando para dar uma olhada nos álbuns que ele estava vendendo. “Qualquer um desses aí é um real, pode escolher, só tem coisa boa”. E falava que já tinha vendido um bocado e que tava pra comprar uma coleção.... “Só coisa boa!” Sentei num banquinho e fui vendo vagarosamente álbum por álbum. Abria, olhava para ver se não estava arranhado, olhava as musicas... Confesso, novamente, que pensei nesse momento de análise dos álbuns: “pra quê comprar um vinil se eu posso baixá-lo?” E isso me fez repensar se valeria a pena sair dali cheio de vinis debaixo do braço. Enfim, separei dois que me chamaram a atenção. Pelo tempo que eu tinha demorado, o cara que tava vendendo os vinis por certo achou que eu fosse levar vários. Realmente, fiquei um bom tempo ali. As pessoas passando na calçada de um canto para o outro. As lojas estavam movimentadas. O comércio estava bem ativo. Fim-de-semana, peixe e vinho. Pela cara do vendedor acho que ele não ficou muito animado por eu ter escolhido apenas dois álbuns. Paguei os dois reais e disse ainda: “eu tenho a maioria desses álbuns aí”. Fui-me embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei uma pausar. A música era instigada. Fui tentar acompanhar. E era “meio de campo”. Elis ia gritando a letra do Gil enquanto sua banda segurava com a competência dos grandes mestres os acordes e contratempos da música. Encostei o violão. Fiquei escutandaprendendo um pouquinho. Passou pra outra música. Após alguns segundos de audição fiquei pensando como certas melodias nos remetem para um outro tempo, um tempo em que aquelas melodias se encaixam. São o resultado máximo daquela época. Não poderiam ser mais nem menos que aquilo. São, na verdade, a expressão máxima e mais sofisticada do que pode haver em termos de melodia, música, arranjo. Simplesmente são. Talvez por isso sejam tão boas. Mas, esquecendo os elogios valorativos, fiquei pensando também com minhas idéias, enquanto olhava as letras das músicas, que talvez seja isso que o Maffesoli fala de “estilo de uma época”. Esse estilo se estende por tudo que faz parte da vida humana, da moda, dos hábitos, gírias e costumes e, claro, a música. Mas enfim, continuei ouvindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grata surpresa! Sempre achei que o Gil ficava meio que escondido nos anais da música popular brasileira. Ofuscado por Caetano, coisa do tipo. O narciso que chamou a atenção de todos para si... Por sua vez, Dionísio ia seguindo de vagarinho e, claro, com a grande competência dos mestres.  Mas quando coloquei aquele Parabolicamará pra tocar... pô... um real... muito bom! Valeu ter andado pra cima e pra baixo lá no centro com aquele vinil debaixo do braço. Afinal de contas, combinemos aqui entre nós, um vinil é umas sete vezes maior que um CD. É sim, eu medi. Mais ou menos isso. A primeira música (do lado A) poderia não está ali, não seria sentida a sua falta, de forma alguma. “Parabolicamará”, “um sonho”...  Quanta coisa boa! Que letras! Ainda fiquei pensando comigo: “vai que a letra é boa e o arranho não é legal.” Nada disso. A primeira música do lado B bem que poderia, também, não estar ali. É, eu sei. Sou quem estou afirmando isso. Mas a segundo música, “neve na Bahia”, leve e irônica pede para ser ouvida mesmo. Daí a gente pega o braço do vinil e adianta logo para a segunda. Escutando-a direitinho, acho que a Xuxa ainda não entendeu esta música. “Ya Olokun”, música mais que atual. E o que dizer de “o fim da história”? Músicaresposta a Fukuyama... Sintonizado demais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É como se o livro dos tempos&lt;br /&gt;Pudesse ser lido de traz pra frente&lt;br /&gt;Frente pra traz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo. E tanto faz se comecemos escutando o lado A ou o lado B. E se você perguntar “de onde vem a esperança, a sustança espalhando e verde dos teus olhos pela plantação”, a resposta vêm em seguida: “ô ô vem de baixo do barro do chão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Últimas palavras que encerram o vinil. Fui ver a data do álbum após retirá-lo da vitrola e fiquei surpreso ao perceber que não há data alguma no álbum. Que merda! Confesso novamentemente que pensei no Google naquela hora pra me tirar essa dúvida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-123489666079684035?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/04/novedeabrildedoismilenovejoaopessoapb.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6133092667240323876</guid><pubDate>Mon, 06 Apr 2009 14:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-06T11:53:42.073-03:00</atom:updated><title>Amor novo*</title><description>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///F:%5CDOCUME%7E1%5Cfabiano%5CConfigura%C3%A7%C3%B5es%20locais%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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 &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheira a planta molhada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheiro a vento batendo na cara&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheira a noite&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheira a lua&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheira a primeira vez&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheira a sorriso de criança&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cheira a amor novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Inspirado em um jovem casal de amigos&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6133092667240323876?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/04/amor-novo.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-8521082706927381555</guid><pubDate>Tue, 17 Mar 2009 22:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-17T19:27:28.111-03:00</atom:updated><title>Manual de redação e estilo</title><description>&lt;div align="justify"&gt;O jornalista Victor Victorio, experiente profissional da área das letras, há mais de trinta anos empunha uma caneta hidrográfica preta e, armado de sólidos conhecimentos de Português (além de muita paciência) começa a leitura da edição do dia do jornal no qual trabalha. A esse tarimbado profissional compete localizar os erros e impropriedades que passaram ao largo dos mecanismos de controle instituídos para evitá-los. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Victor Victorio, não satisfeito com o que lia cotidianamente, elaborou o seu Manual de Redação e Estilo. Na aula de hoje, ele nos trás um exemplo ilustrativo não para mostrar como evitar possíveis erros de Português, mas, para apontar algumas situações típicas do ofício que requer do jovem jornalista, digamos, uma certa desenvoltura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aula nº 1.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lousteau: Este é um exemplar do livro de Nathan, que Dauriat acabou de me dar; a segunda edição sai amanhã. Releia a obra e escreva um artigo que acabe com ela.&lt;br /&gt;Lucien: Mas o que se pode dizer contra esse livro? Ele é bom!&lt;br /&gt;Lousteau: Ora, bolas, meu caro, aprenda o seu ofício. Mesmo que o livro seja uma obra-prima, com uma penada você pode transformá-lo numa tremenda bobagem, numa obra perigosa e nociva.&lt;br /&gt;Lucien: Mas como?&lt;br /&gt;Lousteau: Transformando as belezas em defeitos.&lt;br /&gt;Lucien: Eu sou incapaz dessa proeza.&lt;br /&gt;Lousteau: Meu caro, jornalista é acrobata; você precisa se acostumar aos incômodos da posição. Olhe só como eu sou bonzinho! Vou dizer qual é o modo de agir em casos semelhantes. Atenção, menino! Você começa dizendo que a obra é boa, pode até se divertir dizendo o que de fato pensa. O público pensará: “Esse crítico não é invejoso, sem dúvida vai ser imparcial”. A partir daí o público vai achar que sua crítica é conscienciosa. Depois de conquistar a estima do leitor, você diz que lamenta, mas precisa condenar o sistema para o qual a literatura francesa será levada por livros como esse. [...] &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Prossegue o personagem ensinando Lucien como se derruba uma obra ou alguém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Trecho da obra Ilusões perdidas (1835-1843) de Balzac. O livro narra a saga de Lucien de Rubempré, jovem poeta francês que impedido de viver de sua arte se tornou jornalista em Paris. Este livro trata da perda da inocência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Brasil, dois mil e nove. Imagine agora os meios de comunicações de sua cidade. Visualize os “personagens principais” desses meios. Parece que as coisas não mudaram muito nos últimos dois séculos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-8521082706927381555?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/03/manual-de-redacao-e-estilo.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-9046606762292865713</guid><pubDate>Fri, 13 Mar 2009 13:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-13T10:39:46.428-03:00</atom:updated><title>Fora do ar</title><description>&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O sistema está fora do ar! Ultimamente tenho ouvido esta frase com certa freqüência e isso tem me deixado preocupado em relação ao nosso futuro. Me refiro ao meu futuro, ao seu (caro leitor), ao futuro da humanidade... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Você já percebeu que na hora em que você mais precisa o tal “sistema” está sempre fora do ar? Já pensou um dia você está numa situação de emergência e ter que ligar para a polícia ou para os bombeiros e ouvir aquela voz dizendo “tente mais tarde, o sistema está fora do ar”? É dessas coisas que estou falando, esse tal “sistema” vem tomando conta de nossas vidas de uma forma que chega a assustar. Daqui a algum tempo estaremos completamente dependentes dele, quiçá vivendo dentro dele, assim como no filme Matrix. Você duvida? Façam suas apostas!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-9046606762292865713?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/03/fora-do-ar.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-1191437624830385170</guid><pubDate>Sat, 28 Feb 2009 21:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-28T18:32:14.173-03:00</atom:updated><title>Má notícia</title><description>&lt;div align="justify"&gt;– E voltamos já com más notícias! – Falou o apresentador do telejornal recolhendo os papéis espalhados por cima de sua mesa. Fiquei um tempo pensando se tinha escutado bem ou se ele tinha tropeçado na sua própria língua. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escutei com certo espanto aquele almofadinha engravatado que vomitava diariamente as mesmas baboseiras e desgraças da vida alheia. A única diferença é que as desgraças que abrem o noticiário só mudam de lugar e acontecem com pessoas diferentes, de resto é todo dia a mesma coisa: morte, brigas, corrupção... Não sei se vocês já perceberam, mas a maioria dos noticiários começam sempre com as desgraças e quando acaba a reportagem, em seguida vem outra nada a ver com a anterior. E assim vamos esquecendo os infortúnios da vida (principalmente os alheios) como se estes não tivessem acontecidos. Então dei uma zapeada nos canais e desliguei a TV. Fui dar uma volta pela cidade e respirar ar puro. Era noite, já passava das 20h00. Tranqüilidade. Não muito longe de minha casa ficava meu escritório de advocacia. Fui andando até lá, só pra passar de frente, não tinha mesmo o que fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antes mesmo de dobrar a esquina sinto um cheiro de fumaça no ar. Ao virar à esquerda vejo meu escritório ardendo em chamas iluminando a cidade. O fogo parecia procurar o céu e os papéis queimados dançavam no ar ao sabor do vento. Não consegui nem mesmo me desesperar. Um silêncio se abateu sobre mim e nos meus olhos brilhavam aquelas chamas. Nenhuma reação, nenhuma lágrima, nenhum gesto... nada. Dobrei a esquina e fiz o mesmo caminho de volta pra casa. Sentei no sofá, peguei o controle remoto que estava ao lado e liguei a televisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dizem que a TV tem um poder anestésico que provoca uma certa apatia, um desinteresse, uma impassibilidade e era justamente isso que eu queria naquele momento: esquecer por uma longa sucessão de segundos, minutos, horas... tudo aquilo até o outro dia. Mas eis que Deus ou sei lá quem ou o quê, na sua mais profunda perversidade, resolve me maltratar metendo o dedo na minha ferida. Ao ligar a TV aquele almofadinha engravatado estava lá de volta. A cara asséptica, paletó e gravata e com a mais profunda frieza anunciava em seu programazinho a minha desgraça para milhões de telespectadores apáticos: – escritório de advocacia pega fogo no centro da cidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, ele não tinha tropeçado em sua língua. Ele cumpriu sua promessa. Esta era realmente uma má notícia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-1191437624830385170?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/02/ma-noticia.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-924766508248090227</guid><pubDate>Mon, 09 Feb 2009 14:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-09T12:36:34.973-02:00</atom:updated><title>Aquela música</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Foi com entusiasmo que ele mostrou pela primeira vez a sua música favorita para ela. Ligou o aparelhzinho e colocou o fone de ouvido respeitando cada um dos lados: o &lt;span style="color: black;"&gt;Right&lt;/span&gt;, no ouvido direito e o Left, no ouvido esquerdo. Deu o play e enquanto a música tocava observava atentamente a sua expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta indiferença! Escutou, fez um comentário qualquer e foi embora. Isso lhe lembrou imediatamente o poema de Baudelaire “Os Olhos dos Pobres” (Spleen de Paris). Nem sempre as pessoas estão na mesma freqüência de pensamento e idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou seu player e foi escutar a música sozinho pensando naquilo tudo. Não havia nenhum problema com a canção, pensou solitário com seus botões. A ocasião era a mais apropriada possível e a música caia perfeitamente naquele instante. E aí? O que será que teria acontecido?  &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um tempo chegou a uma conclusão: às vezes, o melhor a se fazer é não fazer nada, pois nada há para se fazer.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-924766508248090227?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/02/aquela-musica.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-6034423202941008181</guid><pubDate>Thu, 08 Jan 2009 19:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-08T17:49:15.840-02:00</atom:updated><title>Começando o ano</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Olá pessoal! Esta é a primeira vez que escrevo este ano, ainda estranhando o teclado do computador; como se estivesse desaprendido a ler e sentisse dificuldades ao tentar soletrar algumas palavras... Como se isto fosse possível... Não vou justificar a minha ausência estes dias (ou serão semanas, meses?). Falta de tempo? Falaremos sobre isso mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a verdade é que estas são as primeiras palavras que escrevo em dois mil e nove e isto não deveria ser algo estranho para mim, afinal, apenas passamos de um ano para outro. Tudo certo não fosse essa nova correção ortográfica dos países de língua portuguesa. Daí não sei bem se estou escrevendo certo ou errado. Mas, como temos alguns anos para nos adaptarmos, isto ainda não me preocupa de fato. Me importa mesmo é me fazer entender através do que escrevo e proporcionar-lhes uma leitura tranqüila, mesmo que o computador insista em colocar o trema nas palavras, como vocês mesmo podem observar. E como eu não pretendo brigar com o computador, deixo ele lá, quase imperceptível como sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outra coisa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em cima falei sobre o tempo (ou a falta dele). Fiquei pensando sobre isso esses dias. Não pelo fato de ter passado alguns dias, semanas, messes... sem ter postado nada aqui no blog por falta de tempo, como ficou sugerido no início do texto. Não é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias fiquei refletindo sobre esse mundo em que vivemos e a velocidade das coisas, o fato de não termos tempo para nada... É interessante essa paranóia moderna, estamos sempre correndo, correndo... mas para onde? Me lembrei agora de uma poesia que fiz chamada “parem os relógios!” (já postada aqui) que começava assim: Pra quê precisamos marcar a hora de nossa morte? Marquemos então a hora de nossas vidas: parem os relógios!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Desta paranóia de que falo. Não temos tempo (ou achamos que não temos) para fazermos até mesmo as coisas que mais gostamos e quando “arrumamos” um tempo este é bem curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo me veio da seguinte forma: da minha turma de faculdade tenho contato, digamos, mais constante apenas com alguns poucos amigos, tão poucos que dá até pra contar na mão direita. Mas são pessoas e amizades que sei que são pro resto da vida, diferente daqueles que ficaram para trás. Entre esses poucos, tem um que mora na mesma cidade que eu, em outro bairro, mas que levaríamos alguns minutos para nos encontrarmos e pormos o assunto em dia, como se diz por aí. Acontece que por conta dessa paranóia da qual estamos falando (da falta de tempo), ficamos sempre adiando um encontro e tentando remediar a falta de um bom papo face to face (cara a cara) através de tecnologias como o telefone, o computador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que fiquei pensando alguns dias atrás com meus botões: “preciso ver fulano pra conversarmos... ele já tem até um filho de cinco anos de idade e ainda nem o conheço!”. Isso tudo pode parecer besteira, mas este é apenas um exemplo, entre tantos outros, de como vamos adiando as coisas que gostamos e até mesmo precisamos fazer por falta de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí fiquei pensando: pra quê correr tanto se o que nos espera mais na frente é a morte! Se só temos esta vida, porque não vivê-la plenamente? Por que não aproveitar nosso tempo pra fazer coisas que gostamos e trabalhar de vez em quando pra poder fazer essas coisas? Será que ao chegarmos na vida adulta a finalidade de nossas vidas é apenas trabalho, trabalho e trabalho? A tirania a qual estamos submetidos (com o nosso consentimento, vale dizer) é incrível: trabalhar onze meses e ter apenas um de férias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma entrevista:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia terminar esse texto por aqui, mas gostaria de dividir com vocês, estimados leitores, as impressões que tive de uma leitura que fiz de uma entrevista com a filósofa Olgária Matos na revista Caros Amigos especial que trata sobre o pós-humano (nº 36 de novembro de 2007). Nesta entrevista, a filósofa fala basicamente sobre o “conceito de tempo e suas mutações no mundo contemporâneo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma forma geral, a entrevistada ressalta a questão da alienação do tempo, ou seja, “você não ser senhor do seu tempo”, o fato de você ser determinado pelo tempo das coisas e não ter controle de sua vida. Isso tudo resulta no fato de ao invés de experienciarmos o tempo de forma qualitativa, o fazemos de forma quantitativa.&lt;br /&gt;Assim, esquecemos que o tempo da máquina não é o nosso tempo: em um computador a gente ouve música, digita um texto, faz um download, assiste a um vídeo, fala com alguém através de chats, manda um e-mail... a lista é quase interminável. Da mesma forma tentamos nos igualar a máquina: queremos ser o melhor profissional de nossa área, o melhor pai ou mãe, o melhor amante, o melhor amigo e no fundo não somos nem a metade disso porque já fazemos uma coisa pensando em outra, pensando em ganhar tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o filósofo alemão Walter Benjamin, essa concepção de tempo da qual estamos falando é a do Chronos, ou seja, o tempo como uma acumulação sempre linear e indiferente. A esta, ele contrapõe uma outra que vai chamar de Kairos, tempo como intensidade e inovação que permite saber agarrar o instante decisivo da transformação possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à entrevista, a professora filósofa ressalta a produção de mercadorias e o consumo como fatores importantes para se entender essa questão do tempo. De que forma? Segundo ela o que move o homem é a pulsão pela novidade, é assim que “o que domina todo o imaginário, todo o ritmo da vida biológica e todo o ritmo da vida cotidiana é a produção e o consumo de mercadorias”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo do tipo: a velocidade dos dias atuais está ligada ao tempo de obsolescência daquilo que consumimos. É por isso que não estranho que as pessoas tenham sempre que estar trocando de carro quase que todos os anos. Com certeza não é para cumprir a função básica de um carro, qual seja: levar alguém de um ponto a outro com mais rapidez, pois qualquer carro que ande pode fazer isso. Mas, no fundo, o que prevalece, entre outras coisas, é o consumo, o status... Coisas do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voltando um pouco:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns dias atrás fui ver a apresentação de um artista local lá no Estação Ciência. Ao me aproximar do anfiteatro aonde aconteceria o show, a primeira pessoa que avisto é esse amigo do qual falei no meio do texto. Feliz coincidência!&lt;br /&gt;Assistimos ao show, conversamos muito (finalmente colocamos o assunto em dia) e fiquei pensando: não fosse esse encontro ao acaso, quando iríamos nos ver? Será que da próxima vez a decisão partirá de nós ou ficará mais uma vez por conta do acaso? Mas eis que me lembro bem das ultimas palavras que pronunciei quando nos despedimos: “... a gente se bate!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pra terminar:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que estamos no começo do ano, já que este é meu primeiro texto do ano e já que as formalidades nos impulsionam para isso, gostaria de tentar (até porque não sei se vou conseguir) começar este ano neste ritmo. Não o ritmo do qual tratei lá em cima, mas no ritmo da desaceleração, no ritmo do tempo do ócio, no tempo para os amigos, para o amor, para o trabalho também, claro e para tudo que realmente importa.&lt;br /&gt;Gostaria de partilhar isso com vocês, caros amigos e leitores anônimos e que façamos disso (ou pelo menos tentemos fazer) uma prioridade neste ano que se inicia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-6034423202941008181?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2009/01/comeando-o-ano.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-2742629975396671207</guid><pubDate>Wed, 29 Oct 2008 14:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-29T12:23:15.186-02:00</atom:updated><title>O lixo dos condomínios: racionalização desagradável</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/SQhxes-7NMI/AAAAAAAAAL0/e7WYMHhOuRs/s1600-h/lixo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/SQhxes-7NMI/AAAAAAAAAL0/e7WYMHhOuRs/s320/lixo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262580936867525826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Peguei meu saco de lixo. Desci os dois andares do prédio em que moro e me dirigi ao local destinado ao depósito de tal material. Na medida em que me aproximava, percebi que para aquele lixo havia diversos destinos possíveis. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Trazia em uma das mãos aquilo que se convencionou chamar de lixo orgânico (resíduos de comida, frutas e coisas que a natureza, com sua sapiência silenciosa, absorve por si mesmo); na outra, lixo reciclável (plástico, vidro, papelão, metais e todos aqueles objetos que são produtos da criação humana). Na minha cabeça eu tinha dois destinos para cada um desses sacos que trazia: um deles iria para o lixo que seria recolhido pelo carro da prefeitura e o outro seria colocado separado do primeiro para ser recolhido e reciclado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pois bem, temos aí um pequeno exemplo de racionalização e da forma como a sociedade atual destina os seus resíduos. Mas eu não sabia que esta racionalização envolve um tipo de relação social bem específica. Então percebi, ainda há caminho do local em que jogaria o meu lixo, que além dessas “duas espécies” de lixo havia outras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Além do lixo reciclável e do lixo orgânico havia também o lixo que servia como subsistência de um grande número de miseráveis. Estes, logo cedo, antes mesmo de nos acordarmos, recolhiam aquilo que poderia servir para ser vendido ou até mesmo consumido. Aquilo que, para nós, já não teria nenhuma serventia. Aquilo que eu estava indo jogar no lixo naquele momento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Percebi então que a coisa é bem mais profunda e complicada do que eu poderia imaginar. É claro que sabia da existência dessas pessoas, de gente que vive disso. Só não imaginava ou não tinha pensado sobre a existência de uma lógica racional que operava na relação que as pessoas tinham com seu lixo e com as outras pessoas. Isso pelo fato de perceber que além do lixo orgânico e do lixo reciclável, há também “outras espécies de lixo”: como aquele que já não serve mais para alguém, mas que pode servir para outros. Exemplo: um móvel, roupas velhas, brinquedos etc. &lt;br /&gt;No caminho percorrido para jogar meu lixo, percebi essas outras “espécies” de lixo, coisas que as pessoas do condomínio onde moro iam deixando, cada um em seu local específico, para que terceiros dessem o fim que quisessem.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi assim que vi funcionando certo tipo de acordo “provisório” entre duas partes que se “privilegiavam” com esta situação. Mais que isso: esse “acordo” tem suas regras, tem seus pode e seus não pode. Desta forma, um dos lados facilita deixando os portões de trás do condomínio abertos, em determinados horários, para que algumas pessoas possam pegar aquilo que elas acham que têm algum proveito para si. Por sua vez, os catadores de lixo fazem uma “limpeza parcial” do lixo “dos bacanas”. &lt;br /&gt;Poderíamos até mesmo brincar agora e dizer que há um lixo para tudo que é gosto. Mas, com certeza, se fosse dada as condições materiais para estas pessoas, elas não estariam ali catando lixo para sobreviverem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao local destinado para se colocar os resíduos do condomínio, foi com o pesar mais profundo que depositei o meu lixo orgânico em um local e o meu lixo reciclável em outro. E assim seguimos alimentando esse sistema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-2742629975396671207?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2008/10/o-lixo-dos-condomnios-racionalizao.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/SQhxes-7NMI/AAAAAAAAAL0/e7WYMHhOuRs/s72-c/lixo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-4245044122690409392</guid><pubDate>Mon, 20 Oct 2008 12:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-20T10:16:56.053-02:00</atom:updated><title>EUtnografias #2</title><description>Tédio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto Caetano canta “samba e amor” do Chico, vou escrevendo estas linhas como quem procura inspiração na audição da música de poesia refinada estilo Noel Rosa. A falta de assunto que se ancora e parece não querer sair, termina virando assunto também por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neste domingo monótono, passo longe da televisão para não cair na tentação de pegar o controle e ver a programação. Nessas horas fico pensando aonde vamos chegar com esses programas; a criatividade não chegou ao seu limite, espero. Ler um livro pode ser um bom programa, mas o barulho da televisão nos alcança aonde quer que nós nos escondamos. E qualquer barulho nos é prejudicial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E enquanto vou escrevendo, ouço a vizinha chegando no apartamento ao lado. A voz de robô, inconfundível, a denuncia até mesmo há quilômetros de distância. Sei que é ela, primeiro, pela voz, segundo, por que sempre chega falando com seu gato siamês, como se o gato fosse seu filho. Mas o mais interessante é que a filha dela chama o gato de irmão. Aí eu não sei mais aonde é que estamos. Às vezes acho que o estranho sou eu, que as pessoas evoluíram e eu fiquei para atrás. Chego a pensar que isso tem alguma ligação com o fato de eu não assistir ou assistir pouco a TV. E as coisas vão dando um nó na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Caetano segue cantando. Daqui a pouco retomo Balzac, aquela leitura que parece não ter fim. Uma pausa para o café e um fuminho bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O barulho vem do apartamento ao lado: a mãe discute com a filha (ou será o contrário?). Por mais que não me interesse, é impossível não ouvir a discussão, pois é costume da vizinha deixar a porta do apartamento aberta só com a grade. Agora é que não dá pra ler mais nada! E o gato, “filho” da vizinha e “irmão” da filha dela assiste a tudo sem nada entender com o olhar curioso dos gatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora que já consegui uma quantidade de parágrafos razoáveis para postar neste blog, me lembro que é melhor parar por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo. Algum dia de outubro de dois mil e oito. Que poderia ser um, vinte e dois, trinta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-4245044122690409392?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2008/10/eutnografias-2.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-4259260626146594506</guid><pubDate>Fri, 17 Oct 2008 19:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-17T17:07:33.792-03:00</atom:updated><title>EUtnografias</title><description>- Vou escrever logo isso antes que me esqueça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei pra mim mesmo me dirigindo rapidamente para o teclado do computador esquecendo sobre a mesa a xícara de café mal tomada. Rolava um sonzinho de fundo, coisa nova que uma amiga tinha me passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas músicas têm um poder especial. Semana passada um colega me falava que às vezes passava semanas ouvindo certo álbum. Isso também acontece comigo. E ouvi tanto certo cantor que já tem mais de uma semana que um trecho da música não sai da minha cabeça, fica repetindo, repetindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é bem sobre isso que eu queria falar. Eu dizia que certas músicas têm um poder especial. Algumas delas conseguem nos transportar para um tempo, um lugar. É como se voltássemos a viver aquele contexto em que estávamos ouvindo a música. É um tanto nostálgico, eu sei. Talvez por isso que eu não goste tanto. Às vezes sinto que a música ficou datada, embora seja uma ótima canção e que mereça ser revisitada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos odores, cheiros também têm esse poder. Certa vez senti um cheiro que me lembrou algo da infância. E como explicar isso? Simplesmente sabia que aquele cheiro não era algo novo, que fazia parte do meu passado. E quando o senti novamente, me vieram as mais diversas lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esse sonzinho que está rolando de fundo agora enquanto escrevo, amanhã não me agrade tanto. Talvez, num futuro próximo, quem sabe, ele me lembre este texto. Me lembre este blog. E assim vou somando, somando, somando... E minha passagem por este mundo vai se transformando numa acumulação auditiva, uma acumulação de odores e outros sentidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-4259260626146594506?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2008/10/eutnografias.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-9129378437273045093</guid><pubDate>Sun, 05 Oct 2008 18:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-05T16:01:07.506-03:00</atom:updated><title>Algumas palavras sobre o olhar[1]   </title><description>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CPC%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} p.MsoFootnoteText, li.MsoFootnoteText, div.MsoFootnoteText 	{mso-style-noshow:yes; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} span.MsoFootnoteReference 	{mso-style-noshow:yes; 	vertical-align:super;}  /* Page Definitions */  @page 	{mso-footnote-separator:url("file:///C:/DOCUME~1/PC/CONFIG~1/Temp/msohtml1/01/clip_header.htm") fs; 	mso-footnote-continuation-separator:url("file:///C:/DOCUME~1/PC/CONFIG~1/Temp/msohtml1/01/clip_header.htm") fcs; 	mso-endnote-separator:url("file:///C:/DOCUME~1/PC/CONFIG~1/Temp/msohtml1/01/clip_header.htm") es; 	mso-endnote-continuation-separator:url("file:///C:/DOCUME~1/PC/CONFIG~1/Temp/msohtml1/01/clip_header.htm") ecs;} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Embora nós, animais racionais, não tenhamos uma visão tão desenvolvida quanto a de outros animais, somos os únicos a usá-la de forma que nos auxilie na conquista do sexo oposto. Diria que o olhar é a primeira investida nesse sentido (o da conquista), através dele deixamos transparecer e percebemos os flertes, primeiros mensageiros da conquista. Neste sentido somos o Cupido (conhecido também como Eros, o deus do amor na mitologia grega) que lança suas flechas (o olhar) fazendo com que suas vítimas caiam numa profunda paixão.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Desde a antiguidade grega, o olhar tem um laço imaginário com a sexualidade onde "o olho é um meio de possuir — ou de ser possuído — completamente análogo aos órgãos sexuais, que possuem e são possuídos". Entendendo-se, dessa forma, que o olhar, enquanto meio primeiro da conquista, é o que levará a sua consolidação através do ato sexual.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Bebendo ainda nas fontes mitológicas, encontramos também a lenda de Narciso. Filho do deus Céfiso e da ninfa Liríope, que segundo a advertência do adivinho Tirésias, "viveria melhor se não se olhasse. Belíssimo, chegando a idade adulta, Narciso tornou-se objeto da paixão de um grande número de moças e de ninfas, mas sempre se mostra insensível ao amor. Os pedidos de vingança das mulheres atraem para ele as iras de Nêmesis. Um dia, Narciso se inclina numa fonte para matar a sede. Percebe então seu rosto e dele se enamora. Daí em diante, absolutamente indiferente ao mundo, debruça-se sobre a sua própria imagem e se deixa morrer".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;Contada e cantada através dos tempos, todos nós conhecemos a estória de Narciso que tendo dispensado o amor da ninfa Eco, faz com que essa procure a deusa da vingança (Nêmesis) pedindo-a que Narciso soubesse algum dia o que é o amor e não ser correspondido. O resto da estória já sabemos. O que poucos sabem, porém, são as palavras ditas por ele ao se ver no lago:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;— Fica, peço-te! Deixa-me, pelo menos, OLHAR-TE, já que não posso tocar-te.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;Aqui, o olhar aparece como única opção de alguém diante de um amor impossível; como o único sentido capaz de amenizar a falta que os outros fazem, ou seja, ouvir, sentir, cheirar e degustar a pessoa amada. Narciso via apenas, através do olhar, a sua imagem refletida na fonte e como o olhar era a sua condição primeira e última para conquista de si mesmo, o jovem Narciso morre aos poucos às margens da fonte. A lenda ainda conta que após morrer, a sua sombra ao atravessar o rio Estige, debruça-se sobre o barco para numa última tentativa avistar-se na água. Até mesmo após sua morte, Narciso tenta se OLHAR nas águas do rio, numa forma de guardar na lembrança a sua imagem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;Trazendo essa discussão sobre o olhar para uma época mais contemporânea, temos a célebre frase que diz: "os opostos se atraem". Não creio eu que essa afirmação seja aplicável, pelo menos no campo das relações entre as pessoas. Talvez seja infalível na química estudada pelos cientistas. Mas quem são os cientistas para aplicá-la nas relações e no amor, tendo em vista que esse último não é uma ciência exata como a matemática?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Avançando um pouco mais no tempo, "os neoplatônicos dos séculos XIV e XVI chegaram mesmo a definir o verdadeiro amor como pura contemplação, de tal maneira que o que se vê se torne idêntico àquele que é visto. O amor é visão dividida. Os olhares se confundem com os corações e mais perfeitamente com que os sexos". Vemos então a importância do olhar, do ver como ponto de partida para a relação. E quando olhamos, procuramos o que primeiro nos mostra a beleza, depois nos procuramos na outra pessoa. É a procura pelas mesmas características, pelo comum. Nessa hora somos Narciso e a outra pessoa o lago e procuramos nos enxergar nesse lago e às vezes morremos nele.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;"Efetivamente, o homem só pode amar a si mesmo ou seu semelhante (com o qual possa se identificar) ou então um se transcendente capaz de essencializar a sua humanidade (...) O homem ama a mulher na medida em que ele é essa mulher, e vice-versa. É uma relação em espelho: cada um dos parceiros extrai do outro a si mesmo, ou melhor, a imagem de si mesmo". E antes do amar, de se identificar, e da beleza, vem o olhar. Essa poderosa mágica que nos permite conquistar o mundo através dela. E para terminar esse texto, contarei em algumas linhas a estória de Eros e Psique.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Psique, filha de rei, tinha duas irmãs. A formosura das duas mais velhas era fora do comum, mas a beleza da mais moça era tão maravilhosa que não existem palavras para expressa-lá como merece. A fama de tal beleza era tão grande que estrangeiros de países vizinhos iam, em multidões, admirá-la rendendo a própria jovem homenagens que só se devem a própria Vênus (conhecida também como Afrodite, deusa do amor e da beleza. Nascida da espuma do mar e casada com Vulcano). Vaidosa e vingativa, ao ver os seus altares desertos, a deusa Vênus providenciou para que Psique tivesse motivos para se arrepender de sua beleza. Então, chama o seu filho Eros e lhe diz:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;— Castiga, meu filho, aquela audaciosa beleza; assegura a tua mãe uma vingança tão doce quanto foram amargas as injúrias recebidas. Infunde no peito daquela altiva donzela uma paixão por um ser baixo, indigno, de sorte que ela possa colher uma mortificação tão grande quanto o júbilo e o triunfo de agora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Cupido preparou-se para obedecer às ordens maternas. Pegou suas flechas, umas de água doce e outras de água amarga, e dirigiu-se para o quarto de Psique, que a encontrou dormindo. Derramou, então, algumas gotas de água da fonte amarga sobre os lábios da jovem. Ela acorda e abre os olhos diante de Cupido (ele próprio invisível), que perturbado, feriu-se com sua própria seta. Pensou de imediato em desfazer o mal que fizera e derramou as gotas de alegria sobre os sedosos cabelos da jovem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Diante de tanta beleza, ninguém ousara casar com Psique. Seu pai ficou desesperado e seguindo porem a indicação do oráculo — que afirmara que sua filha estava destinada a se casar com um monstro — conduziu a filha ao alto de um rochedo, onde a deixou. A moça foi arrebatada pelo vento, adormeceu, acordando no jardim de um palácio magnífico. Foi acolhida por vozes que a guiaram e se puseram a seu serviço. À noite, apareceu-lhe um marido que, sem lhe revelar o nome, advertiu-a de que jamais deveria olhar para ele. Ela viveu feliz desta forma até que um dia pediu ao marido que a deixasse olhá-lo, no que ele disse: – Por que queres me ver? Duvidas do meu amor? Tens algum desejo que não foi satisfeito? Se me visses, talvez fosse temer-me, talvez me adorar, mas a única coisa que peço é que me ames. Prefiro que me ames como igual a que me adores como Deus.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Psique se aquietou por um tempo até que um dia suas irmãs a visitou e lhe despertou o desejo de vê-lo. À noite, Psique tomada por curiosidade, olhou para o rosto do marido enquanto esse dormia e descobriu um belíssimo rapaz (tratava-se de Eros, o deus do amor). Assustado, Cupido abre os olhos e encara Psique e em seguida abre as asas e sai voando e dizendo: – Tola Psique, é assim que retribui meu amor? Depois de ter desobedecido às ordens de minha mãe e ter te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro. Volta para junto de tuas irmãs, o amor não pode conviver com a desconfiança.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Psique passa por mil tormentos, perseguida por Afrodite, mãe de Cupido, na tentativa de se reconciliar a ele. Cupido, então, apresenta-se diante de Zeus e o suplica que a ajude. Zeus advoga com tanto empenho a causa dos amantes que consegue a concordância de Afrodite. Assim Psique ficou finalmente unida a Cupido e, mais tarde, tiveram uma filha, cujo nome foi prazer.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Voltando ao tema inicial (o olhar) podemos concluir que "Eros não queria ser olhado, mas olhava. Psique conquistou, a duras penas, a possibilidade de ver a reciprocidade no olhar".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ps.: “Psique em grego significa tanto borboleta como alma. Não há alegoria mais notável e bela da imortalidade da alma como a borboleta que depois de estender as asas, do túmulo em que se achava, depois de uma vida mesquinha e rastejante como lagarta, flutua na brisa de um dia e torna-se um dos mais belos e delicados aspectos da primavera. Psique é portanto a alma humana, purificada pelos sofrimentos e infortúnios, e preparada, assim, para gozar a pura e verdadeira felicidade”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CPC%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C03%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;Bibliografia (Alguns livros que ajudaram no desenvolvimento do texto):&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;• Do Mito a Psicanálise. &lt;span style="" lang="EN-US"&gt;In: SODRÉ, Muniz. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Televisão e Psicanálise&lt;/i&gt;. São Paulo, Ática, 1987. &lt;span style="" lang="EN-US"&gt;P: 13-15.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;• BULFINCH, Thomas. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;O livro de Ouro da Mitologia Grega&lt;/i&gt; - Histórias de Deuses e Heróis. Rio de Janeiro, Ediouro, 2001. P: 99-109.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;   &lt;hr align="left"  width="33%" style="font-size:78%;"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=28162782&amp;amp;postID=9129378437273045093#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esse texto foi escrito no dia 19 de junho de 2002, portanto seis anos atrás. Achei-o ao revirar alguns arquivos esquecidos &lt;st1:personname productid="em um CD-ROM" st="on"&gt;em um  CD-ROM&lt;/st1:personname&gt; gravado na mesma época. Observando-o hoje, me parece um tanto ingênuo. Nunca foi publicado ou divulgado em nenhum meio. Assim, torno-o pública através deste blog.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-9129378437273045093?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2008/10/algumas-palavras-sobre-o-olhar1.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-8968282351190113599</guid><pubDate>Fri, 26 Sep 2008 18:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-26T15:13:07.947-03:00</atom:updated><title>Confissões de um usuário</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/SN0mAKaQpxI/AAAAAAAAAKo/pdltiM_PcaI/s1600-h/incenso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250394524820219666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 187px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px" height="142" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/SN0mAKaQpxI/AAAAAAAAAKo/pdltiM_PcaI/s320/incenso.jpg" width="205" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Finalmente cheguei em casa! Estava morto, estressado e cheio de problemas. Não sei por que as coisas têm que ser assim... Todo mundo tem problemas, mas nunca pensei que iria ficar tão mal. Ainda bem que não tem ninguém em casa, isso só piora tudo. Prefiro estar aqui sozinho ouvindo o silencio, ouvindo o barulho do meu juízo queimando minhas idéias do que ta ouvindo o povo passando de um canto pra outro invadindo minha privacidade, ligando a televisão pra assistir a desgraça nossa de cada dia. Definitivamente não! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então relaxei. Tirei a roupa e fiquei apenas de cuecas. Essa é uma das vantagens de se estar sozinho em casa, você faz o que quiser e anda como quiser. Tranquei as portas e fechei as janelas. Não queria ver as luz do dia a não ser pelas ínfimas brechas que ela tentava passar, formando no chão e nas paredes desenhos engraçados. Tava realmente começando a esquecer tudo, mas nos distraímos por alguns segundos e logo vem a realidade. Que droga... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deitei-me na cama e tentei pensar em algo que me distraísse. Lembrei-me daquela “parada” que um amigo tinha me dado. Aquele troço era bem legal, ajudava a relaxar, você ficava tranqüilo. É como se você estivesse dentro de um balde d'água e alguém te jogasse no chão, dai você se espalhava por toda a parte, vendo cada pedaço seu em lugares diferentes e podendo sentir cada um deles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento queria me sentir assim de novo. Queria me proporcionar isso já que ninguém o poderia fazer. Recentemente vi na televisão uma pesquisa falando que isso poderia causar males à saúde. Mas tenho vários amigos que usam e todos vivem bem, ao menos aparentemente. Que droga! Também não sou nenhuma criança, sei o que é bom para mim. Só tem uma coisa chata, fica um puta de um cheiro forte no ar e se você segurar entre os dedos uma porra daquelas também fica um cheirinho por mais que você lave. Bom, mas dá pra disfarçar. Aqui em casa o pessoal não gosta, mas também eles não vão chegar tão cedo, espero. Vou ter um bom tempo pra viajar legal e curtir cada momento, desde acender umzinho e sentir aquela fumaça fazendo efeito ate ver se apagar a ultima ponta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Decidido do ia fazer, fui à cozinha pegar o fósforo. Vou acender no quarto mesmo. Antes de tudo, peguei o meu melhor vinil e coloquei pra tocar. Nada mais sugestivo. Naquele momento só faltava uma pessoa (de preferência do sexo oposto) pra dividirmos esse momento e alcançarmos o nirvana. Tudo bem, como sempre de uns tempos pra cá, as melhores coisas que tenho feito tem sido sozinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acendi. Respirei aquela fumaça gostosa o máximo que pude. Deitado na minha cama e de olhos fechados escutando o melhor som do mundo, aquele momento se tornara perfeito. Senti-me aquela água sendo jogada do balde novamente só que dessa vez foi diferente, ao invés do chão fui diretamente arremessado na parede e, contrariando as leis da física, me mantive colado na parede deitado verticalmente olhando as outras partes que ficaram no balde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No auge de toda essa viagem, ouço alguém abrindo a porta. Puta que pariu! O pessoal chegou. Meus pais já estavam abrindo a segunda porta quando eu tentava fazer circular aquela fumaça toda, mas não teve jeito. Quando eles entraram, se depararam comigo só de cuecas com cara de espanto num quarto cheio de fumaça e som rolando ao fundo. Tentava esconder "a arma do crime", mas não teve jeito. Meu pai com cara de reprovação puxou minhas mãos que estavam para trás e falou curto e grosso: no dia que você tiver que acender esse bagulho fedorento que seja bem longe daqui. Já lhe falei que sua mãe não gosta do cheiro desses incensos. Agora vá vestir uma bermuda que você está parecendo um doido! É isso mesmo, caros leitores. Manda quem pode e obedece quem tem juízo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-8968282351190113599?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2008/09/confisses-de-um-usurio.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_GnxkEGzJNdM/SN0mAKaQpxI/AAAAAAAAAKo/pdltiM_PcaI/s72-c/incenso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-28162782.post-1436445208597292888</guid><pubDate>Wed, 03 Sep 2008 14:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-03T11:18:14.485-03:00</atom:updated><title>Leituras</title><description>Na parada de ônibus&lt;br /&gt;parada&lt;br /&gt;ela lia o livro e sorria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parada&lt;br /&gt;parado&lt;br /&gt;eu lia no seu rosto&lt;br /&gt;o sorriso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre o riso&lt;br /&gt;e o ônibus que&lt;br /&gt;não vinha&lt;br /&gt;eu me distraia&lt;br /&gt;a imaginar:&lt;br /&gt;parada ali ela está&lt;br /&gt;mas nas páginas&lt;br /&gt;daquele livro&lt;br /&gt;paradeiro para ela&lt;br /&gt;não há.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28162782-1436445208597292888?l=papirusfalantis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://papirusfalantis.blogspot.com/2008/09/leituras.html</link><author>fabianops.jp@hotmail.com (Fabiano)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item></channel></rss>