23.4.07

Conversa Muda

Surgiu uma conversa muda
Que só era possível há distância
Palavras que vem e que vão
Sem o calor do estar perto.

Surgiu uma conversa muda
Que só era possível há distância
Palavras que vão subindo
Palavras que vão sumindo.

Surgiu uma conversa muda
E muda continuou
Calados estavam
Calados ficaram

Surgiu uma conversa muda
Falava-se com os dedos
Ouvia-se com os olhos.

22.4.07

(...)



Acelerou seu carro até o ponteiro bater 137 Km/h. A sua frente um declive que qualquer outro se sentiria a vontade para deixar o carro seguir por si mesmo. Como dizem por aí: “na banguela”.

A sua esquerda, o lado oposto da pista e os poucos carros que por ele passavam apressados e com faróis altos naquela noite. A sua direita, um penhasco aparentemente sem fundo se não fosse as ilusões da noite. Olhando para o horizonte as luzes da cidade brilhavam sem parar, quase ofuscando seus olhos.

Aumentou o volume de seu toca fitas “roadstar” para o máximo com o som de Bob Dylan rolando e acelerou mais seu carro movendo o volante lentamente para a direita, sem que, nem por que avançou em direção ao penhasco. O carro caia ferozmente enquanto ele olhava para aquelas luzes e, antes mesmo que elas se apagassem, apagou para o mundo, de uma vez por todas, a sua luz.

8.4.07

Man at Work!


...tá quase bom. Passa amanhã!

1.4.07

Dialética do Cansaço


Enquanto ela escrevia em um papel algumas anotações de um livro que estava lendo, a ponta de seu lápis comum se quebra. Naquele instante, meio sonolenta e enfadada após horas a fio de tanta leitura científica, descobriu que era hora de parar um pouco. Espreguiçou-se longamente, bocejou e olhou com um olhar perdido no nada para a mata que se estendia a sua frente. Por um momento, olhando aquele verde exuberante que saltava da janela da biblioteca e se movia com a batida do vento, pensou consigo mesma: “não posso parar”. E retomou o texto.

Após algumas horas de leitura, resolveu voltar para casa e com a cabeça pesada de tantos manifestos, materialismos, proletários, burgueses, capital, conflito, camponeses, condições sociais, exploração, modernidade, economia, capitalismo, trabalho, feudalismo, barulhos, conversas alheias, a mulher chata da biblioteca... apaga na sua cama depois de um longo bocejo para sonhar com Marx e Engels discutindo sobre manifestos, materialismos, proletários, burgueses...