1.4.07

Dialética do Cansaço


Enquanto ela escrevia em um papel algumas anotações de um livro que estava lendo, a ponta de seu lápis comum se quebra. Naquele instante, meio sonolenta e enfadada após horas a fio de tanta leitura científica, descobriu que era hora de parar um pouco. Espreguiçou-se longamente, bocejou e olhou com um olhar perdido no nada para a mata que se estendia a sua frente. Por um momento, olhando aquele verde exuberante que saltava da janela da biblioteca e se movia com a batida do vento, pensou consigo mesma: “não posso parar”. E retomou o texto.

Após algumas horas de leitura, resolveu voltar para casa e com a cabeça pesada de tantos manifestos, materialismos, proletários, burgueses, capital, conflito, camponeses, condições sociais, exploração, modernidade, economia, capitalismo, trabalho, feudalismo, barulhos, conversas alheias, a mulher chata da biblioteca... apaga na sua cama depois de um longo bocejo para sonhar com Marx e Engels discutindo sobre manifestos, materialismos, proletários, burgueses...

2 comentários:

Raniere disse...

Doquinha, não esqueça da UTOPIA. É outro termo bem utilizado neste contexto “dialectuário”. Mas esquecendo a utopia deste, falo dessa utopia como fonte de nossa indignação (NOSSA! E NÃO MINHA! Veja só...) é essencial (deixa a filosofia pra lá!) na construção da ruptura. Doquinha, o que eu tenho aprendido (e desprendido do corpo e dos meus conteúdos de pensar) é fazer essa quebra do cotidiano, esse rompimento das estruturas do dia-dia. Homi, não podemos ficar passivos diante de um dia-dia sempre dia-dia.
Mas tu deve tá pensando: “Pôrra, Doquinha, do que é que tu ta falando, Mizera?”, “ Eu num tava falando nada disso, Doquinha, tu tá viajando, meu irmão, fale sério!”
Eu falo daquilo que nos deixa, que vc chama de “dialética do cansaço”, nesta situação de extrema canseira. Doquinha, a utopia é o remédio de uma doença que não existe. O remédio de nossa doença é crer que estamos doentes. (me dê, Doquinha, a liberdade de usar o remédio como metáfora, tu sabes, né? Que não sou muito bom em imagens floridas, e muito menos em idéias).

Doquinha, depois eu posso escrever mais. atemais

Abraço.

Fabiano disse...

Doquinha,

A doença existe! E é aí que entra a utopia fazendo-nos pensar que uma coisa melhor é possível. Só acredito na morte! Só Acredito na morte! Estamos todos condenados, principalmente você, seu louco dos quintos das cúias! Olhe Doquinha, vou lhe dizer uma coisa: num quero bagunça aqui no istabelecimento não, viu? Mando dois negão lhe pegar e na dialética da porrada tu vai ver o que é bom pra tosse, visse?