9.2.09

Aquela música

Foi com entusiasmo que ele mostrou pela primeira vez a sua música favorita para ela. Ligou o aparelhzinho e colocou o fone de ouvido respeitando cada um dos lados: o Right, no ouvido direito e o Left, no ouvido esquerdo. Deu o play e enquanto a música tocava observava atentamente a sua expressão.

Quanta indiferença! Escutou, fez um comentário qualquer e foi embora. Isso lhe lembrou imediatamente o poema de Baudelaire “Os Olhos dos Pobres” (Spleen de Paris). Nem sempre as pessoas estão na mesma freqüência de pensamento e idéias.

Pegou seu player e foi escutar a música sozinho pensando naquilo tudo. Não havia nenhum problema com a canção, pensou solitário com seus botões. A ocasião era a mais apropriada possível e a música caia perfeitamente naquele instante. E aí? O que será que teria acontecido?

Depois de um tempo chegou a uma conclusão: às vezes, o melhor a se fazer é não fazer nada, pois nada há para se fazer.

3 comentários:

Anais disse...

"E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela". AC.

"E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam..." WS

Tantos podem dizer tanto... O que não adianta quando o melhor a se fazer é não fazer nada.

Isabella Araújo (Zabella) disse...

que frustração... essa da música é um pouco a mesma sensação do convertido, sabe a pessoa que acabou de se converter e quer que todo mundo se sinta extasiado tal qual ele se sente? a tal frequencia dos pensamentos e ideias que não sintoniza. bem, são ambas situações frustrantes, mas deixar pra lá pode ser uma alternativa mais apropriada do que insistir e ser inconveniente...

Fabiano disse...

Hummmmm... Boa surpresa sua visita ao meu blog. Concordo com o Caeiro e o Shakespeare, mas ainda acho que há momentos em que dizer nada é a melhor coisa para se dizer. Não adianta ter tanto a dizer para quem não tem ouvidos...

Às vezes falo, às vezes escuto. E eis que os Secos e Molhados cantaram sobre isso um dia

"Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá. lá, lá, lá
Fala
Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar
Na hora de falar
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Fala..."

Fala (João Ricardo / Luli)